Minha história não começa na fotografia.
Ela começa na vida real — no trabalho, na rotina pesada, nas mudanças, nas recomeçadas silenciosas e na coragem de continuar mesmo quando o cansaço dizia para parar.
Desde cedo, aprendi que nada vem pronto. Cresci entendendo o valor do esforço, da responsabilidade e da persistência. No Brasil, vivi experiências que me moldaram como pessoa: desafios, aprendizados, quedas e pequenas conquistas que me ensinaram a olhar para o mundo com mais sensibilidade.
A mudança para Portugal marcou um novo capítulo. Não foi apenas trocar de país — foi reaprender a viver, trabalhar e sonhar em outro ritmo. Entre jornadas longas, adaptação cultural e responsabilidades do dia a dia, a fotografia surgiu não como um plano imediato, mas como um chamado silencioso.
Comecei a fotografar para entender o que sentia.
Depois, para registrar o que via.
E, aos poucos, percebi que fotografar era a minha forma de contar histórias — inclusive a minha.
Estudar fotografia enquanto trabalho, cuido da casa e construo a vida longe do meu país exigiu disciplina e fé em mim mesma. Cada tarefa entregue, cada módulo concluído, cada ensaio realizado representa mais do que técnica: representa constância.
Hoje, estou em fase final da minha formação como fotógrafa e sigo ampliando meus conhecimentos também no design gráfico, entendendo que imagem e comunicação caminham juntas. Meu olhar foi construído na prática, no cotidiano, na observação atenta das pessoas, da luz, dos detalhes simples que muitas vezes passam despercebidos.
Não carrego uma história de vitimização — carrego uma história de superação consciente. De alguém que escolheu continuar, aprender e evoluir.
A fotografia, para mim, é mais do que estética.
É verdade, é processo, é identidade.
É a prova de que é possível recomeçar em qualquer fase da vida — e fazer disso algo bonito.
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